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    Exame de tireoide: quais são, para que servem e quando você precisa fazer

    Entenda o que cada exame de tireoide avalia, quais as principais doenças e quando o rastreio é indicado.

    06 May 2026schedule14 minutos de leitura


    Cansaço que não passa, queda de cabelo fora do comum e ganho ou perda de peso sem explicação aparente são sinais que frequentemente levam o médico a solicitar exames de tireoide. As disfunções dessa glândula costumam se desenvolver de forma silenciosa, e uma pessoa pode conviver com hipotireoidismo ou hipertireoidismo por muito tempo sem saber que algo está errado.


    Neste guia, você vai entender o que é essa glândula, quais são os principais marcadores avaliados no laboratório, se é preciso fazer jejum e o que os resultados podem indicar, sem necessidade de conhecimento técnico aprofundado para acompanhar a leitura.



    O que é a tireoide e por que ela merece atenção



    A tireoide é uma pequena glândula em formato de borboleta localizada na base do pescoço, logo abaixo da laringe. Apesar do tamanho reduzido, ela exerce influência sobre praticamente todos os sistemas do organismo.


    Os hormônios tireoidianos regulam o metabolismo celular, a frequência cardíaca, a temperatura corporal, o funcionamento intestinal, o humor, a memória, o ciclo menstrual, a libido e a fertilidade.


    A glândula capta o iodo presente nos alimentos e o utiliza para sintetizar dois hormônios principais: a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3). Todo o processo é regulado pelo TSH (hormônio estimulante da tireoide), produzido pela hipófise, uma glândula localizada na base do cérebro.


    Esse sistema funciona como um termostato: quando os níveis de hormônios tireoidianos caem, a hipófise libera mais TSH para estimular a glândula; quando esses níveis aumentam, o TSH diminui.


     

    Quais são os principais exames de tireoide e o que cada um avalia



    Os exames de tireoide formam um painel que pode ser ampliado ou restrito conforme a hipótese clínica do médico. Entender o papel de cada marcador ajuda a compreender por que um único resultado isolado raramente é suficiente para fechar qualquer diagnóstico. Acompanhe os principais testes.



    TSH (Hormônio Estimulante da Tireoide)


    O TSH é o primeiro exame solicitado na avaliação da função tireoidiana e o principal marcador para o diagnóstico do hipotireoidismo e do hipertireoidismo. Quando a tireoide está lenta, a hipófise eleva o TSH para estimulá-la. Quando está acelerada, o TSH cai porque o organismo tenta frear a produção excessiva.


    De acordo com o Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), os valores de referência variam conforme a faixa etária e a presença ou não de gestação, mas situam-se, em geral, entre 0,4 e 4,0 mUI/L para adultos.



    T4 Livre (Tiroxina Livre)


    T4 livre complementa o TSH e indica a quantidade real de hormônio tireoidiano ativo circulando no sangue. A fração livre é a que de fato age nas células, razão pela qual ela é mais relevante do que o T4 total para a prática clínica.


    Valores elevados de T4 livre combinados a um TSH baixo podem apontar para hipertireoidismo; valores baixos com TSH alto costumam confirmar hipotireoidismo primário. Os valores de referência para adultos situam-se, em geral, entre 0,7 e 1,8 ng/dL.



    T3 (Triiodotironina): útil no acompanhamento do hipertireoidismo


    T3 é o hormônio tireoidiano mais ativo no nível celular. Em conjunto com o T4 livre, é um exame relevante no diagnóstico e no seguimento do tratamento do hipertireoidismo.


    A dosagem de T3 é especialmente útil nos casos de T3-toxicose, uma forma de hipertireoidismo em que apenas o T3 está elevado, com o T4 livre dentro dos valores normais.



    Anti-TPO, Anti-Tg e TRAb: rastreio de doenças autoimunes


    Os anticorpos antitireoidianos detectam doenças autoimunes da tireoide, que são as causas mais comuns de disfunções da glândula. O Anti-TPO (antiperoxidase tireoidiana) e o Anti-Tg (antitireoglobulina) estão associados principalmente à Tireoidite de Hashimoto, causa mais frequente de hipotireoidismo no Brasil.


    TRAb (anticorpo antirreceptor de TSH) é o marcador específico para confirmar a Doença de Graves, principal causa de hipertireoidismo autoimune. A presença desses anticorpos pode surgir anos antes dos sintomas clínicos.



    Ultrassonografia de tireoide: quando a imagem complementa o sangue



    O ultrassom de tireoide avalia o tamanho, a forma e a textura da glândula, além de identificar nódulos, cistos e alterações estruturais que os exames laboratoriais não conseguem detectar. Ele é solicitado quando o médico identifica algo anormal no pescoço, quando há resultado laboratorial sugestivo de doença autoimune ou quando se investiga um possível nódulo.


    Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, cerca de metade da população acima dos 40 anos pode apresentar nódulos ao exame de ultrassom. É importante ter perspectiva: somente cerca de 5% desses nódulos correspondem a câncer. A grande maioria é benigna, de crescimento lento, e necessita apenas de acompanhamento periódico por ultrassom e dosagem de TSH.



    Precisa estar em jejum para fazer exame de tireoide?


    Essa é uma das perguntas mais frequentes de quem recebe a solicitação de exames de tireoide pela primeira vez. A boa notícia é que os exames de sangue para avaliação da função tireoidiana, como TSH, T4 livre e T3, geralmente não exigem jejum rigoroso, sendo recomendado apenas um intervalo de 4 horas desde a última refeição.


    No entanto, algumas situações merecem atenção antes da coleta:


    • Medicamentos para tireoide: pacientes em uso de levotiroxina devem informar ao laboratório. O médico pode orientar a coleta antes da tomada da dose diária para uma avaliação mais precisa do TSH;
    • Biotina (vitamina B7): suplementos em doses elevadas podem interferir nos resultados de TSH e T4 livre. Recomenda-se suspender o uso previamente à coleta, conforme orientação médica, pois o tempo pode variar de acordo com a dose utilizada;
    • Outros exames no mesmo painel: se o médico solicitou glicemia de jejum ou perfil lipídico junto com os exames de tireoide, o jejum será necessário para esses outros marcadores. Confirme com o laboratório quais exames compõem o painel;
    • Gestantes: os valores de referência do TSH e do T4 livre variam trimestre a trimestre durante a gravidez. É importante informar a semana gestacional ao laboratório no momento da coleta.



    O que TSH alto ou baixo significa



    Os resultados dos exames de tireoide devem ser sempre avaliados em conjunto com os sintomas clínicos e o histórico de saúde do paciente.


    A relação entre TSH e T4 livre é quase sempre inversa: o hipertireoidismo geralmente é associado a níveis elevados de T4 livre e baixos de TSH, enquanto o hipotireoidismo apresenta TSH acima do valor de referência com T4 livre abaixo do esperado.


    Os valores de referência variam conforme o laboratório, a faixa etária e condições especiais como a gestação. Apenas o médico pode interpretar os resultados em relação ao quadro clínico individual.


    sintomas de tireoide alterada

    Sintomas do hipotireoidismo


    • Cansaço e sonolência excessivos;
    • Ganho de peso sem mudança na dieta;
    • Intolerância ao frio e pele seca;
    • Queda de cabelo intensa;
    • Prisão de ventre e lentidão intestinal;
    • Depressão e dificuldade de concentração;
    • Ciclo menstrual irregular.



    Sintomas do hipertireoidismo


    • Perda de peso sem explicação;
    • Palpitações e taquicardia;
    • Ansiedade, nervosismo e insônia;
    • Intolerância ao calor e sudorese excessiva;
    • Tremores nas mãos;
    • Diarreia ou evacuações frequentes;
    • Olhos saltados (nos casos de Doença de Graves).



    Quem deve fazer exames de tireoide e com que frequência



    Os exames de tireoide não precisam fazer parte da rotina de toda a população de forma indiscriminada, mas existem grupos que se beneficiam claramente do rastreio preventivo. Conforme o posicionamento oficial da SBEM, a dosagem de TSH pode ser considerada em intervalos periódicos a partir dos 35 anos, conforme avaliação clínica e presença de fatores de risco.


    Os grupos que mais se beneficiam do rastreio são:


    • Mulheres acima de 35 anos: recomenda-se o rastreio com exames de tireoide a cada cinco anos a partir dessa faixa etária para pacientes sem fatores de risco adicionais;
    • Gestantes e mulheres que desejam engravidar: alterações na função tireoidiana durante a gestação estão associadas a complicações como aborto espontâneo, parto prematuro e problemas no desenvolvimento neurológico do bebê;
    • Pessoas com histórico familiar de doenças tireoidianas: filhos e irmãos de pacientes com Tireoidite de Hashimoto ou Doença de Graves têm risco aumentado;
    • Quem apresenta sintomas persistentes sem causa identificada: fadiga que não melhora com repouso, alterações de peso, queda de cabelo intensa e mudanças de humor são sinais de alerta;
    • Pacientes em uso de medicamentos que afetam a tireoide: amiodarona, lítio e algumas imunoterapias para câncer podem alterar a função tireoidiana e exigem monitoramento regular;
    • Pessoas com diabetes tipo 1 ou outras doenças autoimunes: a coexistência de doenças autoimunes eleva o risco de disfunção tireoidiana autoimune.

     

    Identificar precocemente uma disfunção nessa glândula pode fazer diferença significativa na qualidade de vida, já que as doenças tireoidianas têm tratamento eficaz quando detectadas a tempo.

     

    Se você apresenta sintomas que podem estar relacionados à tireoide ou pertence a algum dos grupos de risco descritos neste artigo, converse com o seu médico e agende os seus exames de tireoide. Cuidar dessa pequena glândula é cuidar do equilíbrio de todo o organismo.


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